Wednesday, September 09, 2009

ABBADON - 28 de Setembro a 25 de Outubro, 22h.30

ABBADON


de 2ª a sábado, 28 de Setembro a 25 de Outubro, 22h30.

Criação, Encenação/Direcção, Texto: Hugo Calhim Cristóvão
Criação, Actuação, Desenhos: Paula Cepeda Rodrigues
Assistência e Colaboração: Joana von Mayer Trindade

Entrada: Gratuita / 500 euros

sujeita a marcação, através dos nº 96 5843240 / 966859193

e nuisiszobop@gmail.com

(diariamente, até às 20h00)

Lotação : 11 seres humanos

CASAVIVA -PRAÇA MARQUÊS POMBAL 167 PORTO


Cabe-me a mim a incumbência de fazer a participação publica do evento. Aposto que viciaram os dados.


Abbadon inicia de novo a 28 de Setembro ( Porto)e quatro semanas em apresentação, intervalo de dois ou três dias durante esse período. Questões de Buchenwald : a entrada continua gratuita, sendo que quem puder ou quiser pode deixar o cartão de crédito mais o código no final, ou uma contribuição que achar justa, ou nada o que é perfeitamente aceitável, ou escrever um texto sobre, lavar o chão, baixar as calças, ou qualquer outra actividade que lhe seja reconfortante, tudo menos sentir-se obrigado a retribuir o que quer que seja, é gratuito.

Quem , por exemplo, tiver um fetiche sexual por ser assaltado queira comunicar e escolher a arma para a ameaça, não se esqueçendo depois de tirar os documentos da carteira. Cuidado igualmente em não deixar dinheiro em demasia no interior da dita. Afinal de contas teatro é uma festa, as opções são inúmeras. Mais questões de Buchenwald: não houve nenhum compromisso na realização deste "trabalho", não há nada a dever a ninguém a não ser a nós mesmos, muito pelo contrário , e a festa é "privada" aberta a testemunhas.

Assim sendo, a entrada para criaturas e actores do Teatro Nacional e Teca, ou circuitos similares se me permite a assembleia se faz favor, parece que não concordam, oligarcas, é de 500 euros por cabeça como imprescindivel donativo. Caso alguma dessas criaturas tenha a infeliz ideia de vir empestar com a sua presença, o que iria roubar lugares a gente boa. O melhor é não deixar entrar de todo, mais simples, disse eu, mas nem toda a gente pensa como eu.

Chegamos a acordo nos 500 euros após ponderação. Nos afins existem outros incluídos. Podem-se abrir excepções, mas caso a caso, e muito bem justificadas, foi proposto e aceite em deliberação conjunta ( eu discordei). O tecanacional poderá sofrer de síndroma de downing, paralisia cerebral, autismo incapacitante ou ter uma família de cinquenta filhos doentes a seu cargo. Situações deste tipo atenuariam a baixeza do seu ganha-pão, argumentaram os oligarcas, perdão, os restantes membros na reunião de irmãos e irmãs.

Os muito novinhos, inconscientes, pode ser igualmente uma questão de dependência drogada de cenouras, informaram-me apelando à minha consciência de cidadão. Oferecemos-lhes uma cenoura e mandamos dizer que a apresentação é no bairro S.João de Deus ás cinco da manhã, que devem ir a comer a cenoura e vestidos de policias , digo eu, procurando conciliar as posições com serenidade e sensatez como é meu hábito. Ainda não sabem, dizem-me a mim, o suborno é uma práctica ilegal dizem-me, são toxicó-cenouró dependentes.

Concluímos e concordamos ( não com o meu voto)que se zurrarem durante meia-hora o mais alto possível a saltar ao pé-coxinho, Hiiiiiii muito agudo, Hóóóóóó muito grave, de um modo convincente, recorrendo a improvisações faladas sobre as suas memórias de burro nos primeiros dois minutos em zurrar livre ( chama-se um "etude" os gajos trabalham muito isso quando fazem Tchekov e Shakespeare ou derivações disse eu, o meu avô já fazia isso para estimular a Gervásia Chaparra na lavoura disseram-me a mim, não é nada um etude disseram-me a mim, eu suspirei, muito triste ) para depois expansivamente zurrarem à desgarrada a sua concepção e entendimento pessoal do Hiiiiiiiiii ! Hóóóóóóóóóóo! .

Mas só os mais autenticamente burros e exibicionistas serão aceites para um desconto de 50 por cento ( dez por cento berrei eu em desespero, ignoraram-me). Terão de comparecer uma hora antes para se poder aquilatar do seu Zurrar (doze horas disse eu, e em jejum, só pelo prazer de chatear, fui de novo ignorado)

Estrategicamente podem os acima referidos, como preparação, analisar e ler previamente à volta da mesa, contextualização e dramaturgia do personagem, os seguintes textos como suporte ( indicações minhas finalmente ouvidas e aceites como sensatas porque construtivas, elogiaram-me, eu bufei )


O Burro de Ouro, de Apuleio- Papel do Burro a Sonhar.

D.Quixote de La Mancha - Papel do Burro do Sancho Pança.

A Reforma Agrária em Portugal, uma análise sociológica - Papel da Mula da Cooperativa.

Isto foi a solução de recurso engendrada pela maioria.

( Ficou registado em acta que discordo da prova por me parecer excessivamente naturalista para o grupo alvo e que me considero uma minoria perseguida e descriminada nos meus direitos, chamei-lhes racistas, ditadores, nazis, e sem vergonhas do, palavra censurada, que vos, palavra censurada )

Para seres humanos é gratuito, resumindo.
Regra geral, os actores e demais pessoas estão na sua maioria incluídos neste grupo, não haverá problemas.
De resto, manos e manas, são as ultimas apresentações no Porto, e as penúltimas de todas .
Espero que estejam cá. Aqui segue o convite.

Solicito particularmente a presença do representante da empresa "AMOR É IN", roscas e chaves de parafusos Lda

Mais, tive de desligar o microfone escondido no leitor de CD que pedi pelo correio, enfiá-lo na banheira e ligar o chuveiro. Acho que avariou. Era telecomandado e lia a várias vozes. Penso que a polifonia em curto circuito soa mais agradável. Que é que isto tem a ver com o assunto ? Nada. Outra vez os oligarcas. E depois, mas qual é o problema? Desde quando é que uma pessoa se deve cingir a um assunto e a uma forma estabelecida de o propor ? Porque é que não posso perguntar ao mundo a razão da inexistência de penicos quadrados ? Não, não, não, não vamos nada jogar aos dados, no máximo aceito rolar os penicos mas só se forem quadrados e atenção que quem dá os copos são vocês. Toca a tirar a rolha do champanhe e a espumar o tecto. Era o que faltava, outra vez os dados. A dádiva é outra, ora bem. Chega de brincadeira.

Dizem-me ao ouvido que devo introduzir um pouco o texto, e a peça, e quando discordo, esmurram-me a orelha.
Acabo de levar uma cepa. Sou agredido, maravilha.

Comecemos pelo nome, cuja relação com o texto e com a peça é poética, não é linear. É apenas um inicio. Abbadon é o anjo, ou demónio, as opiniões divergem consoante a perspectiva, do abismo. Muitas vezes esse abismo esteve nos ensaios e todos os envolvidos num momento ou noutro se perderam. Vimo-nos a transbordar processos que nada tinham de sensato. Obrigaram-me a dizer esta ultima frase, onde é que está a acta ? Mas, quase sempre, acabamos a rir. Ou a chorar. E por aqui chega. Sempre houve generosidade. Bastantes vezes " Inferno". Olá Rimbaud. Mas não é sobre isto. Será sobre "cavar" ? Olá Paul Celan. Talvez. É sobre o Amor. Algo como " meus senhores, vocês vivem mal" ?

Sobre a génese. Eu criei o texto, criei o modo como se ergueu em actos ou como se tornou teatro, criei o seu nascimento para vida. A direcção. A Paula criou os desenhos, e cria A Vida ponto final. É a Vida ponto final. A criação ultima, daquilo que irão ou não ver, portanto, é dos dois, de algo entre os dois, com os dois. Porque qualquer encenador que assuma como sua a criação, ou o espectáculo quando acontece, ou que aceite individualmente os louros, é um sacana de um mentiroso. O habitual " um espectáculo de" . Se receber mais que os actores é um criminoso. Quase sempre. 99,9 por cento sempre.

Gostava de deixar aqui um pequeno pedido: façam-lhes a vida negra. O teatro, quando acontece, é vosso. Não há hierarquia. Há saberes precisos, processos precisos, diferenças precisas. Com dar e receber no concreto, não na letra. Também no salário, também nas condições exteriores. Façam-lhes a vida negra. Recusem-se a ser o brinquedo, a peça na engrenagem. Quando ouvirem expressões como " o meu espectáculo, o meu espectáculo é isto ou aquilo, o trabalho de não sei quem é isto ou aquilo", quando ouvirem várias vezes o "meu, o meu, o meu, o meu, o meu, o meu", destruam-nos. Comam-nos vivos, e despejem-nos em penicos quadrados. Façam-nos sofrer. Cuidado com a treta às custas do vosso material, do experimenta lá a ver se fica , improvisa para mim, vamos ver o que se aproveita para o "nosso" trabalho. Matem -nos. Façam-nos descer até ao nível do chão do palco . Pisem-nos até que sejam pó, até que escorram em papa. Façam-lhes a vida negra. Se o permitirem, porque convém para subir na carreira, ou porque precisam de fazer contratos, ou por questões de nome ou reputação, ou se a vossa vontade for estar do outro lado a vampirizar para o "meu", então: morram. E morram depressa.

Claro que isto implica perder o espírito de putas que é muitas vezes a regra.


Termino com agradecimentos, ou melhor abraços, a algumas pessoas que não estão na ficha técnica, mas que ajudaram, umas vezes por estarem presentes nalguns momentos do processo ou algo de similar, noutros casos simplesmente por existirem para o diálogo e para a biografia.

Por razões primeiras um abraço forte a Pedro Salvador.

Pelas segundas a Ramon Vazquez, Gilberto de Lascariz, Isabel Calhim, Luís Rodrigues, Carlos Gouveia Melo, José Rocha Paiva, Frederico Mira George, Vasudeva Reddy.

Uma palavra final para a Casa Viva : não deve ser por acaso que o unico local onde fomos acolhidos com toda a disponibilidade tenha tão incluida a anarquia na sua natureza.

Vosso,

É só teatro, é só uma festa.

Hugo Calhim Cristóvão.

Friday, July 31, 2009

Critica Teatral 1 - "Te Haré Invencible con mi Derrota" de Angélica Liddell ou A DERROTA no Teatro, por Paula Cepeda Rodrigues

São quase quatro horas da manhã, passaram 28 horas desde a visita ao centro cultural da retocolite ulcerativa, versão vegeta-cosmopolita-anoréctica-in-anginha do LIDL Supermercados, secção maria da vanguarda fora do prazo, promoção Airwick festival de arte performativa. Era uma visita especial, anúncio menu presença do actor, inovador, radical, decorado com toda a nomenclatura comum do novo estilo de marketing, daqueles que não dizem nada para caber lá tudo, com desconto especial para papados artísticos e facilidades de pagamento segundo enrabamento mensal.
Estava lá tudo, um espécime para cada vara, do menu nem sinal. Situação irritantemente repetitiva que até custa escrever sobre o espectáculo apresentado, superficial, vazio de vida, de teatralidade, performatividade, ao ponto de estas palavras deixarem de fazer sentido no mesmo parágrafo em que se incluam simultâneamente "Te Haré Invencible con mi Derrota de Angélica Liddell”.
Trata-se de um espectáculo construído na base do comodismo geriátrico de imagens que se sucedem, que se vendem tão bem quanto as palavras do programa de sala. Uma hora de aborrecimento com mistura de escatologia de um desespero fabricado, em que o espaço teatral não é mais lugar de encontro mas co-existência de uma solidão individual, a da actriz e a dos espectadores, criando um espaço masturbatório do gosto pela estética, pela ignorância e pela apática higiene emocional.
Poder-se-ia entrever a procura por algo tão humano como a angústia, a solidão e o desespero face a morte que acontece aos outros e nos deixa impunes. “No quiero ser feliz. Quiero que me dejen em paz. Queiro que se jodan! Hijos de puta”, poderiam ser mais que palavras se fossem realmente ditas, se tivessem alguma dimensão humana e performativa, assim tornaram-se discurso panfletário do artista rebelde que vai para palco proliferar insultos que nunca o chegam a ser, angústias que não são actos, babas metódicamente caídas de gente que nem escarros sabe produzir, de quem nunca aprendeu a cuspir.
O caminho não é percorrido, não se descobre com a pele, o corpo e o sangue, resta fabricar esta dimensão humana. É fácil afirmar que a sociedade de hoje procura ser feliz, todo um movimento face à angústia, ao prazer através da destruição, da anulação, do homicídio, da vaidade, do poder, prolifera por todos os poros da sociedade, instala-se numa dimensão do espectacular baseado na falsidade dos sentidos e numa angústia bem real, a de um vazio contagioso, que se torna concreto a cada manifestação superficial de uma vivência na qual não se está , da qual se é ausente de si mesmo e da presença dos outros. Está-se perdido, sem a noção real dessa perdição que poderia ser uma dádiva, no final é a covardia que prevalece. Abrem-se as portas para o show das emoções falsas, das falsas verdades afirmadas com gritos e choros provocados, cortes feitos na carne à medida de uma estética fundada na imagem do próprio corpo que não se toca realmente, marcas feitas para serem apagadas e esquecidas, que renegam um legado de verdadeiro questionamento sobre as dimensões do corpo, os seus limites e a sua ascese possível através de práticas reais do risco, de que são exemplo trabalhos como os de Marina Abramovic, entre tantos, tantos outros que se silenciam facilmente para dar lugar à cabotinagem, à palhaçada actual em que está imerso o teatro actual e as artes performativas em geral. “Te Haré Invencible con mi derrota” , fala de facto em derrota, a derrota do teatro como uma arte viva, da vida, como lugar de questionamento que a actriz e encenadora Angélica Liddell tanto reivindica. A morte de que a actriz fala nunca está presente excepto como conceito abstracto. Mais um espectáculo feito de uma cartografia sem destino e sem espaço, em que os elementos cénicos se seguem arrastando-se nos pés de alguém que não deseja sequer mexer-se, somos imersos num aborrecimento latente e contínuo, no qual acredito que os espectadores em geral se identifiquem, e por esta arte “misteriosa” da identificação aplaudam uma covardia partilhada face à vida. Para que nada do que foi referido seja uma evidência vemos desfilar uma colectânea de efeitos, imagens atrás de imagens, que não constroem nada mais que ausência. Jacqueline du Pré, essa artista dotada que compreendia a música com o próprio corpo, com a própria a alma, aparece no meio deste discurso como a vítima da dor.
É difícil enumerar todos os lugares comuns presentes. Cliché significa isso mesmo, forma sem conteúdo, movimento sem impulso, sem respiração. O corte com as lâminas, os movimentos do corpo apenas para fazer correr o sangue e montar a imagem para a fotografia. A cabeleira loira e a linda figura, tipo pose de modelo. Os pães que a actriz abre um após ao outro dentro de um quadrado de luz estético, onde se adivinha desde o início que encontra um papel, mas apenas no final, no último pão, onde não existe gesto, nem acção. O arranhar com as unhas a superfície metálica da parede do armazém – boa imitação do filme “The Ring”, com a óbvia ignorância do que isso implica. Os gritos “No...Noo...”, o choro “Porquê... Porquê?...” – confesso que fui bem-educada e contive o riso perante esta demonstração de displicência, de radicalismo tipo miúda mimada, após um momento totalmente falso de deitar-se e bater-se contra vidros de uma garrafa partida, com uma manta bem enrolada para se proteger, que isto do risco de perceber com o corpo a realidade e os impulsos que nos atravessam é para ser escrito nos programas de festivais, na prática o pessoal prefere fazer de conta. O texto dito sempre em posturas imóveis sem qualquer envolvência física, a puxar ao grito, à voz profunda e cadavérica de quem fumou demasiados cigarros, emborcou um bons goles para dar azo a uma masturbação emocional, da qual não se sai ileso, pois a podridão fede. O bordar de uma boina de militar que evolui em movimentos amplos, a simular uma loucura que se desconhece, mas sempre apoiados na música como condutor sem qualquer dimensão interna de acção teatral. A máquinazinha de pipocas cliché típico dos dias de hoje – encontram um objecto giro em casa de um amigo e pensam Ai que original!! Que coisinha tão gira! Vou colocar no meu espectáculo faz-me lembrar as metralhadoras do papá! E tem tudo haver com pistolas! No final até as como, é a guerra que se come. São as balas da guerra que entram no meu corpo e eu medito, intacta! A mudança de roupa, agulhas no corpo e nos dedos, o sangue décor, os tacões altos, a música e como não havia de faltar, não estivéssemos nós a falar do novo teatro, a projecção de vídeo com imagens de "Jacquie no Vietname", a evocação de imagens de crueldade bem colocadas e escolhidas para que ninguém seja tocado por elas, para manter a realidade do que é efectivamente cruel à distância. Saiu invencível a Higiene Cultural. Produzam-se agora textos higiénicos sobre o espectáculo, para os interessados consultar: www.citemor.blogspot.com
Convido a ler as crónicas sobre esta peça no site referido, dão conta de todo o itinerário "accional" que apenas referi em parte, talvez não se seja contaminado pelas sugestões/ideias/palavras imprimidas como inscrição na lápide de uma campa, se se em vez de perguntar: o que significa? O que significa cortar a pele com lâminas? O que significa abrir os pães? o que significa gritar por Deus? O que significa missa negra, liturgia? O que significa chorar? Se se perguntar, se se procurar no concreto o que é cada uma destas coisas e como se manifesta, então entraremos no espaço específico do teatro, poder-se-á compreender tudo o que neste espectáculo não acontece, e tudo o que nele é recusa pelo risco e pela presença, grito de covardia, mentira sem humor, ilusão sem poesia viva.
Confronto as máscaras construídas na ilusão das palavras e de um discurso embelezado de imagens estáticas com o que é real, vejo-as cair como cinza, no final ficou apenas pó, uma casa bolorenta onde não entra mais a luz, e uma tristeza que me percorre o corpo na evidência de um teatro morto, onde tudo poderia ser diferente se as palavras escritas pela actriz/encenadora passassem além do papel e das boas intenções, onde em vez de uma voz rota se se oferecesse o coração verdadeiro nesse duelo entre o que está vivo e o que está morto, sobre este abismo insondável sobre o qual nos movemos, que é na dicotomia, no jogo consciente entre forças opostas e extremas, de tornar presente o insondável, onde cresce e se multiplica a essência do teatro e da arte do performer. Aqui não é de certeza.

Paula Cepeda Rodrigues