ABBADON e SHE WILL NOT LIVE 1 em Evora
"Abbadon", um monólogo para uma actriz, com Criação/Direcção e Texto Original de Hugo Calhim Cristóvão e Criação/ Performance de Paula Cepeda Rodrigues, é um trabalho inovador ao recusar as convenções usuais no espaço teatral e performativo, caracterizando-se por uma total imersão do espectador no universo sensorial e emocional do espectáculo, por uma intensidade psicofísica que exige do público uma disponibilidade não usual para o desafio, e por uma extrema generosidade e intimidade em termos performativos, apelando a expressões de metamorfose e de magia. A plasticidade do espaço é determinada pelo sonho consciente e lúcido que marcou todo o processo de trabalho até este momento de apresentação. "She Will Not Live (Part One", com Criação/Direcção de Hugo Calhim Cristovão e Criação/Performance de Joana von Mayer Trindade, revisita a origem da perfomance numa crueza branca em que a intérprete se revela como uma exposição viva, a exposição de um corpo acordado na transitoriedade dos momentos efémeros, que se entrega à intensidade da paixão e do devir, a paixão que se desvela sempre que a morte nos acompanha como força impulsionadora do desejo, bebendo e dando a beber a insatisfação que assola tudo o que perece, tecendo teias onde germina um orvalho ardente. Ambos estes trabalhos são actos de revolta efectuados no concreto e não apenas no discurso, marcando assim o início da actividade performativa do grupo NuIsIs ZoBoP, que se dedica à exploração sistemática dos aspectos mais íntimos e obscuros da vocação do performer até que uma realidade não padronizada se torne visível e presente para o actuante e, consequentemente, para o público enquanto testemunha. Estes espectáculos são apresentados sem recorrer a nenhum apoio financeiro por parte de qualquer instituição.
Teatro/Dança
22h de 2 a 28 de Outubro de 2006
Sociedade Harmonia Eborense
Rua do Raimundo Nº13 Évora
Lotação: 9 pessoas M./18
15 Euros / Sócios S.H.E. 10 Euros
Reservas e Informações: 966859193 nuisiszobop@gmail.com
ABBADON
Criação/ Direcção: Hugo Calhim Cristóvão
Texto: Hugo Calhim Cristóvão
Criação/ Performance: Paula Cepeda Rodrigues
São as realidades extraordinárias, não usuais e no vértice do sonho,
conjugadas em dois símbolos, o abismo como túnel, como descida para o
interior da matéria, e o despertar do fogo, um cálice para o fogo do
voo inicial. Trazer á tona os mundos que não tem nome. E retirar o nome aos que já o tem em demasia. Devemos aprender a perder e desejar
retomar a fragilidade, o ponto em que nenhuma explicação explica. A
virtude de uma barragem é que a água passa através dela, uma barragem
não é um muro. O essencial na barragem é que algo se abre e algo se
fecha, tudo no corpo é húmido, tudo no corpo sua.
SHE WILL NOT LIVE (part one)
Criação/Direcção: Hugo Calhim Cristovão
Criação/Performance: Joana von Mayer Trindade
Um toque de perversidade, de dor, de amor, de exaltação.
Como atravessar um túnel escuro com os lábios húmidos e a mente lúcida sem escorregar, numa exposição ora aparentemente imóvel ora num convite ao transe, que reclamo. Brinco com os limites, os tabus e as fronteiras daquilo que representa ser mulher. Sonho em ser mulher e homem num só corpo, num só coração. Cuspo sangue, saliva, suor e som, atravessamos o deserto a dois.

4 Comments:
Espero que aquellos nueve individuos logren volar, desde arriba observar y luego caer con la cara,
y el miedo se transforma en una belleza.
Noela
Já anunciei. Aqui
Estou bastante curioso. Bom sorte para os espetáculos!
Fui, há dois dias, ver estas duas peças e ainda hoje há algo que me escapa para poder fazer uma apreciação completa (isto existe?).
Descrever aqui o que vi no pequeno compartimento completamente fechado e povoado de desenhos-símbolos, onde a Paula nos prende durante quase uma hora, seria revelar algo que só é permitido sentir-se em presença da actriz/performer e na clausura do espaço escolhido.
Para além da excelente direcção e interpretação, há um texto que desafia, incomoda, agride e fala do amor, das memórias das coisas e das pessoas.
Na segunda peça, há a Joana. Lindíssima na sua pele alva que vai metamorfoseando com molas de madeira, baton vermelho, alcool e uma peça de vestuério roxa. Há um chapéu, também. Uma marca masculina?
Ao contrário do título da peça, eu atrever-me-ia a dizer: She will live, ou she lives. E com ela somos transportados ao universo das máscaras. Quantas temos cada um de nós?
Infinitas e mais essa que tiramos para perceber o excelente trabalho do Hugo, da Joana e da Paula.
(Ah! Esqueci-me de dizer que gostei muito. Parabéns!)
Vale a pena ir a Évora ver este "espectáculo" (?).
Post a Comment
Links to this post:
Create a Link
<< Home